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Golpistas usam a Internet e o fator tempo como aliados em fraudes

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Além de conseguirem aplicar golpes apenas com a obtenção de poucos dados pessoais, os estelionatários também possuem aliados na prática criminosa. Concluindo a série sobre os "Dez Golpes Mais Aplicados", o Diário do Nordeste listou outras seis práticas recorrentes no Estado que têm a Internet ou o fator tempo como álibi. Na primeira reportagem da série, publicada no último 10 de outubro, foram detalhados os golpes do empréstimo consignado, da compra a distância, da contratação de TV a cabo e da placa clonada.
O uso da Internet para práticas criminosas não é mais novidade. Um dos redutos favoritos dos golpistas na rede mundial de computadores, atualmente, são os sites de anúncios classificados, que permitem a compra e a venda de produtos, inclusive usados, por pessoas físicas - e também empresas. Conhecido como "golpe da OLX", a prática ganhou duas vertentes: na compra do produto, quando a vítima compradora não recebe o produto como foi vendido; e na venda do produto, quando a vítima que vendeu não recebe o dinheiro (geralmente por depósito em caixa eletrônico enganoso), mas entrega a mercadoria. O golpe acabou adquirindo, no meio policial, o nome de um dos sites mais famosos do serviço de anúncios: OLX
Jean Mendonça (nome fictício) foi uma das vítimas do "golpe da OLX", ao colocar um videogame de R$ 1.500 à venda, em um site de anúncios classificados, em 2014. Morador da Capital, ele recebeu a ligação de um homem que estava interessado no produto, que supostamente morava no Interior e que, por isso, teria que fazer um depósito do dinheiro através de um caixa de autoatendimento. Jean aceitou a oferta e entregou o videogame a um suposto primo do comprador, que foi pegar o produto na casa do vendedor, depois que o dinheiro já aparecia creditado na conta corrente de Jean. Entretanto, a vítima teve uma surpresa quando o banco descobriu que o envelope estava vazio e o videogame já havia sido entregue. "Na ânsia de vender, facilitei a venda. Eu não suspeitei de absolutamente nada. Depois liguei várias vezes e ele (golpista) não atendeu", relatou Jean.
Um dos produtos mais procurados na Internet e que também atraiu a atenção dos aproveitadores é a passagem aérea. "No 'golpe da milha', você é induzido ao erro por uma passagem para São Paulo que normalmente custa 900 (reais) e que está por 350. Geralmente esses vendedores compraram as passagens com milhas furtadas (de outra vítima). A nova vítima compra a passagem, emite o bilhete e, quando vai viajar, é bloqueado", conta o titular da Delegacia de Defraudações, Jaime Paula Pessoa Linhares.
Para compras na Internet, Jaime Paula alerta: "Precisa ter cuidados básicos. Primeiro, tem que ir em sites seguros, que são aqueles que você tem a certeza que irá receber o produto e, caso não receba conforme foi adquirido, você tenha de quem reclamar. E você pode fazer consultas, na própria Internet, se tem reclamações a esses sites".
A Internet também é bastante utilizada por esses criminosos para aumentar o anonimato. Hackers conseguem invadir o sistema de empresas de serviços populares, como o de linha telefônica, e descobrir quais clientes ainda não efetuaram o pagamento da última cobrança. Com os dados em mãos, os golpistas se passam pelas corporações e cobram o pagamento, oferecendo um desconto se o cliente conseguir pagar rápido. O "golpe do boleto bancário" visa principalmente empresas grandes que pagam cerca de R$ 100 mil mensais por esses serviços, revela Jaime. "A empresa recebe um e-mail que diz que ela não deve pagar o boleto que tem porque ela pode ganhar um desconto, caso faça o pagamento de forma antecipada e, para isso, vai emitir um novo boleto, já com um desconto. Eles (golpistas) não dão um grande desconto para não chamar atenção. Não é um golpe diário, mas todo mês nós temos dois ou três", completa.
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Tempo
"O fator tempo é essencial para o golpista", definiu o delegado Jaime Paula Pessoa Linhares. Esse aliado nos golpes é utilizado para pressionar e induzir a vítima ao erro, como acontece no "golpe da UTI". O golpista engana primeiro os hospitais, passando-se, em uma ligação telefônica, por um funcionário do Sistema Único de Saúde (SUS) ou do Ministério Público, por exemplo, e solicitando, ao atendente da unidade de saúde, uma lista com o nome e outros dados pessoais dos pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além do contato dos familiares.
Com as informações em mãos, o golpista liga para o familiar e, desta vez, se passa por um médico do hospital que estaria fazendo o contato para pedir dinheiro para comprar um remédio ou realizar um procedimento que o paciente está precisando com urgência e pede para uma transferência em dinheiro ser realizada imediatamente. "Quando você tem um familiar num estado desse, você é levado a acreditar. Até porque o golpista tem acesso aos dados do paciente", disse Jaime Paula.
Segundo o delegado, esse golpe lembra um antigo, que tem o mesmo 'modus operandi', mas diminuiu a frequência de ocorrências nos últimos anos.
Antes as vítimas eram os parentes de presos, que recebiam telefonemas de supostos representantes da Defensoria Pública, do Ministério Público ou da Vara de Execuções, que já tinham conseguido os dados pessoais com os responsáveis pelo Sistema Penitenciário. Os golpistas afirmavam estar realizando um mutirão para arbitramento de fianças e cobravam valores para os familiares dos detentos depositarem.
Outra prática que segue a mesma lógica, mas está entre as dez mais recorrentes atualmente, é o "golpe do parente em trânsito". O golpista liga para a vítima e diz que é um parente que está com o veículo quebrado ou parado pelas autoridades de segurança e precisa de dinheiro urgentemente para ter o transporte liberado.
Diante da aflição do suposto parente, a pessoa se descuida e acaba perguntando se é tal pessoa (dando o nome dela). É tudo que o aproveitador quer para confirmar que é esse parente e insistir pela ajuda, solicitando a quantia em dinheiro.
O "golpe premiado" também se utiliza do curto tempo para pressionar a vítima. Apesar de ser bastante conhecido, continua fazendo vítimas com frequência na capital cearense. Passando-se por funcionário de uma grande empresa, o golpista liga para uma pessoa e afirma que ela ganhou um prêmio. Porém, para essa premiação ser liberada, o "sortudo" precisa depositar uma quantia de dinheiro inferior ao valor do prêmio. O golpe está consumado.
O delegado Jaime Paula afirma que o golpista costuma obter êxito nesses golpes que se aproveitam da fragilidade da vítima ou a seduzem. A origem do crime é, geralmente, cadeias de outros estados e os criminosos são detentos que têm acesso ao telefone celular. Observar o prefixo do telefone que fez a ligação ou o endereço da conta em que o dinheiro será depositado é uma dica dada pelo titular da DDF para não cair no golpe.
Indenização
Na maioria dos casos que envolvem empresas, a vítima consegue comprovar que sofreu um golpe e resgata o dinheiro perdido ou retira a cobrança ligada ao seu nome, cabendo até um processo com indenização, como aconteceu com uma vítima (identidade preservada). "Quando você vai tomar conhecimento do golpe, será no mínimo 30 dias depois, e seu nome já vai estar negativado. Você talvez tenha que entrar na Justiça e isso demanda tempo, dinheiro, e às vezes contratar advogado".
 
Fonte Diário do Nordeste
 
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Tema desenvolvido por Diego Farias/ Fagner Freire ·