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As eleições municipais e o novo mapa político do Ceará


Em artigo enviado ao Blog, o professor da UFC e sociólogo João Arruda avalia as eleições em Fortaleza. Confira:
As eleições municipais deste ano, em um dos seus efeitos mais imediatos, redesenhou o novo mapa político em nosso Estado.
Na Capital, o prefeito Roberto Cláudio firma-se, com a sua reeleição, como uma forte liderança da Região Metropolitana de Fortaleza e passa exercer o papel de uma das grandes referências políticas do Ceará. O seu grupo político, liderado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, consolida, mais ainda, a sua hegemonia política no Ceará, com influência sobre um território que abriga mais de 70% da sua população, potencializando, em consequência, a candidatura de Ciro Gomes à Presidência, em 2018.
No sentido inverso, os grandes perdedores desta eleição municipal no Ceará foram os senadores Eunício Oliveira e Tasso Jereissati, arquitetos e financiadores da candidatura do deputado estadual Capitão Wagner. Com mais esta derrota, somando-se as derrotas em municípios estratégicos como Juazeiro do Norte, Crato, Iguatu, Sobral, Caucaia e Fortaleza, eles desidratam, em um processo de maneira quase irreversível quando o horizonte é a disputa de 2018.
Eunício, que tinha a pretensão de disputar o Governo do Estado novamente ou, na pior das hipóteses, tentar a sua reeleição para o Senado, saiu extremamente enfraquecido. Sem grande espaço de manobra, se quiser um novo mandato, terá que se candidatar a uma vaga de deputado federal, situação que lhe garantirá um imprescindível foro privilegiado para se livrar da lava-jato e para continuar os seus rendosos negócios com o Governo Federal.
A situação do senador Tasso Jereissati também ficou bastante complicada. Político com grande serviço prestado ao Ceará, ele saiu das eleições com uma imagem bastante chamuscada. Refém do ódio aos Ferreira Gomes, Tasso não teve o menor escrúpulo em se aliar ao senador Eunício e em afiançar um projeto e uma candidatura atrasada e corporativa, antítese de tudo que historicamente defendeu. Para quem entrou na política pela porta da frente, desafiando Coronéis, capitulou diante da História, aliando-se a um projeto pessoal de um capitão de polícia na reserva e que hoje devasta as pilastras de sustentação de uma corporação com extensa folha de serviços prestados ao Ceará.
A aliança política do Tasso não foi assimilada pelos seus eleitores e, muito menos, pelos seus admiradores e colaboradores de seus três governos. Os cearenses têm registrado em sua memória, os dias de pânico provocado pelo motim da Polícia Militar. Por ironia, como governador, Tasso Jereissati foi a primeira grande vítima da indisciplina e da quebra da hierarquia na Polícia Militar, gênese do atual projeto corporativo liderado hoje pelo Capitão da reserva Wagner Sousa. Legitimar esse movimento, em nome de uma desforra pessoal é, no mínimo, se apequenar e negar a sua biografia política. Seus tradicionais eleitores registraram, nas redes sociais, a sua estranheza com essa opção nada ortodoxa. A debandada dos seus alinhados poderá ser irreversível.
Luizianne Lins foi outra grande vítima desse tsunami político que se abateu sobre as hostes oposicionistas. Com um sofrível desempenho nas urnas, produto da péssima avaliação que os fortalezenses fizeram das suas duas gestões como prefeita, Luizianne parece ser uma política em fase terminal quando se fala de cargo executivo. Para piorar esse quadro, o seu apoio velado dado à candidatura do Capitão, também produto do ódio que nutre aos Ferreira Gomes e ao prefeito Roberto Cláudio, irritou muitas figuras expressivas do PT e setores expressivos do seu eleitorado.
O Capitão Wagner foi o único que, de imediato, não registrou perdas políticas ou eleitorais. Mesmo com uma expressiva votação, ele tem no seu projeto político um limitador intrínseco. Como qualquer outro movimento corporativista, o seu projeto termina por ficar circunscrito aos limites restritos da corporação, dificultando uma aliança com amplos setores da sociedade cearense.
O Capitão Wagner demonstrou pouco ou quase nada entender da administração pública em latu sensu. Nem mesmo no campo da segurança conseguiu apresentar uma proposta sequer que fosse exequível e eficiente. Não vou nem me referir à estúpida idéia de colocar guardas municipais armados dentro de coletivos para combater a criminalidade.
Pelo visto, nesse novo quadro pós-eleição municipal, o grupo político liderado pelos irmãos Ferreira Gomes sai extremamente revigorado para os futuros embates políticos em nosso Estado. Ciro Gomes, uma das grandes expressões políticas do grupo, teve o seu percurso ladrilhado para a sua caminhada rumo às eleições presidenciais em 2018. O prefeito Roberto Cláudio, com a sua reeleição, consolida a liderança na Região Metropolitana de Fortaleza e se firma como uma das maiores expressões políticas do Ceará, fortalecido e legitimado para singrar, no médio prazo, novos e grandes horizonte políticos.

Fonte Eliomar de Lima
 
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