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Varjota vive epidemia ligada ao Aedes aegypti

Durante o trabalho diário dos agentes de endemias, foram encontrados nas residências diversos ambientes que serviam de criadouros do mosquito, entre eles muitas caixas-d'água descobertas, a maioria no Centro (1.534) ( Foto: Marcelino Júnior )
Varjota. Há mais de uma semana, a dona de casa Francisca Darly Moura de Araújo tem sofrido com fortes dores no corpo e febre persistente. As manchas pelo corpo foram logo associadas, pela dona de casa, aos sintomas de alguma das três infecções causadas pelo Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus. Francisca ficou tão fraca que não teve forças para buscar atendimento no hospital da cidade. "Eu não conseguia nem levantar da cama, com uma dor de cabeça que fazia tudo rodar. O jeito foi comprar remédio na farmácia e tomar aqui mesmo", afirmou.
Família toda
Ainda doente, Francisca viu as duas filhas sofrerem os mesmos sintomas, uma após a outra. A mais nova tem perdido aula. A mais velha, Maria Osana, 17, já havia contraído dengue, mas garante que as dores que sente agora, inclusive no globo ocular, além das coceiras pelo corpo, não têm comparação. "Nunca tinha sentido tanta dor nas juntas e nos olhos. A cabeça parece que vai explodir. Eu tenho faltado ao trabalho desde que adoeci. No hospital, fiz exames, mas como o resultado demora, fui orientada a tomar remédios para controlar a febre e as dores. Sou garçonete e soube que minha patroa também está doente", disse.
A umas duas casas dali, outra família sofre, há uma semana, com os mesmos sintomas. Cinco pessoas dividindo a mesma medicação e o incômodo de uma doença que passou a fazer parte do cotidiano dos moradores de Varjota, cidade com cerca de 19 mil habitantes, que tem vivido uma das piores epidemias da região do Norte. A Coordenação de Endemias do Município tem registradas 561 notificações. Deste total, 291 são para dengue (cinco confirmações); 211 para chikungunya (uma confirmação), e 59 para Zika Vírus (nenhuma confirmação).
Subnotificação
Para Erivaldo Camelo, coordenador de Endemias do Município, a situação é bem mais grave, pois muitas pessoas ficam de fora desse levantamento ao não darem entrada no hospital ou nos postos de Saúde, de onde são colhidas notificações diárias, para posterior inserção no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
"Os indicadores apontam que estamos passando por uma tríplice epidemia, com dengue, zika, e chikungunya. A pouca confirmação, referente às notificações, se dá pela demora dos resultados dos exames de sorologia, via Lacen, em Fortaleza; mas sabemos que as pessoas estão doentes. Para cada caso notificado, você pode acrescentar mais dez que não buscam ajuda médica, por isso ficam de fora dos dados que alimentam o Sistema", afirmou.
Criadouros
Varjota possui 34 Agentes de Combate às Endemias, que se dividem por seis bairros e, durante o trabalho diário, de 7h às 17h, foram encontrados nas residências diversos ambientes que serviam de criadouros do mosquito, entre eles muitas caixas-d'água descobertas. A maioria no Centro (1.534); seguido dos bairros Acampamento (407), Empréstimo (381), Pedreiras (320) e Ararinha (292). Os terrenos baldios também fazem parte dos perigos encontrados pelos agentes, ao visitar as residências para ações educativas e de prevenção. Ao todo, 540 foram notificados por apresentarem risco.
O trabalho de prevenção, somado ao "levantamento de índice mais tratamento", realizado pelos agentes, tem sido insuficiente, por não contar com a colaboração dos moradores, segundo Francisco Amadeo Moura, agente de endemias que já chegou a encontrar, em uma só residência, onze depósitos com água, com uma média de dois litros de água cada, todos com focos do mosquito. "É cultural, as pessoas têm medo de ficar sem água e mantêm a maior quantidade de baldes ou vasilhames cheios, mas sem tampa. A desculpa, é que, se cobrir, a água ficará quente", disse.
Atendimento de saúde
A demanda por atendimento relacionado às doenças causadas pela proliferação do Aedes aegypti, aumentou em 50% no único hospital da cidade, que possui mais sete postos de saúde.
A partir de dezembro do ano passado, os casos começaram a surgir nos setores de urgência e emergência, mas foi em abril e maio que os atendimentos chegaram a bater a casa dos 200 por dia. "O caso que enfrentamos aqui é de epidemia mesmo", disse a enfermeira Maria Otília Braga, do setor de controle e avaliação do Hospital.
 
Fonte Diário do Nordeste
 
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