Relator na CCJ diz que não vai ceder a pressões e nega vínculo com Cunha

Deputado Ronaldo Fonseca irá relatar recurso de presidente afastado.

Cunha recorreu contra o parecer do Conselho de Ética pela sua cassação.

Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília
O deputado Ronaldo Fonseca, escolhido para relatar recurso de Cunha na CCJ (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)O deputado Ronaldo Fonseca, escolhido para relatar recurso de Cunha na CCJ (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)
Recém-escolhido para a relatoria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do recurso do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF) disse nesta segunda-feira (27) ao G1 que não cederá a pressões e negou ser aliado do peemedebista.
Caberá à Fonseca elaborar um parecer sobre o recurso apresentado pela defesa de Cunha contra o parecer do Conselho de Ética que pede a cassação do seu mandato parlamentar.
A indicação do nome dele para a tarefa foi anunciada na noite desta segunda pelo presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR). Ele justificou a escolha argumentando que não podia escolher ninguém que fosse do mesmo estado (Rio de Janeiro), partido ou bloco do representado, além de não poder ser do Conselho de Ética.
“Pretendo fazer um relatório bastante técnico e bastante imparcial”, afirmou. Ele reconheceu que haverá pressão, mas que espera fazer um parecer em que haja a convergência de “justiça” e “verdade” e ressaltou que não irá se manifestar sobre o mérito.
“Pressão vai existir, eu acho normal. Eu espero que eu não ceda a pressões nem de um lado nem de outro e que eu consiga fazer um relatório que venha convergir com a justiça, com a verdade. Embora eu não vá opinar sobre mérito, é sobre procedimento, é ver até onde o procedimento ficou viciado. Não é questão de mérito, não pretendo entrar no mérito se Eduardo Cunha é culpado ou inocente”, frisou.
Fonseca disse ainda que não leu o recurso de 64 páginas e que irá se reunir na manhã desta terça (28) com Serraglio para se inteirar do caso. Sobre o prazo de cinco dias úteis que começou a contar a partir desta segunda-feira para que apresente o seu relatório, Fonseca ponderou que tentará fazê-lo o mais rápido possível.
“Não sei se em uma semana eu consigo fazer o parecer, mas vou procurar o mais rápido possível”, declarou, acrescentando o país não “aguenta mais” esse assunto.
“Eu sei que é um assunto muito delicado, difícil, o Brasil já não aguenta mais, a gente tem que pôr um fim logo. Entendo tudo isso. Agora, vivemos num estado de direito, o Eduardo Cunha está no seu direito de recursar, que é regimental e constitucional”, disse.
Ele negou ainda ser aliado do presidente afastado, apesar das manifestações que fez a favor dele na Câmara e das críticas ao Conselho de Ética. “Estão rotulando todo mundo de aliado. Eu não sou aliado de Cunha. Eu mantive uma relação institucional com o presidente. Para não rotular como aliado só se escolhesse alguém do PT”, disse.
Ele rebateu ainda haver qualquer por ser da bancada evangélica, como Eduardo Cunha. “Eu não posso ser rotulado porque sou evangélico. Agora, então vamos posicionar as críticas de acordo com a fé da pessoa? Vamos parar com isso. O Brasil já cresceu para isso”, protestou.
Sobre as críticas públicas que fez ao andamento do processo no Conselho de Ética, Fonseca explicou que estava cobrando uma “resposta rápida” do colegiado.
Em uma dessas manifestações, ele foi à tribuna do plenário da Câmara questionar o fato de o relator ter convocado uma testemunha que não teria como esclarecer a acusação feita contra Cunha.
Em seu depoimento, o empresário Leonardo Meirelles disse ter entregue US$ 5,1 milhões ao doleiro Alberto Youssef que teriam Cunha como destinatário final. Fonseca argumentou que o processo investigava apenas se Cunha tinha ou não contas no exterior e que o depoimento não tinha relação com essa acusação.
“Eu falei no sentido de que o relator no Conselho de Ética e o presidente estavam protelando o processo e nos precisávamos dar uma resposta rápida. Por que protelar? O fato de levar testemunhas para depor que não tinha vínculo com a denúncia em si era uma forma de protelação. Não opinei sobre mérito”, disse o relator na CCJ.
Fonseca também admitiu que, embora não fosse do Conselho de Ética, discutiu com deputados “questões técnicas” sobre o parecer do primeiro relator do caso, deputado Fausto Pinato (PP-SP).
“Eu discuti com os deputados sobre o parecer, questões técnicas. Eu converso e conversei com vários deputados neste sentido, de ver a situação técnica do relatório”, defendeu-se.
Fonseca contou que recebeu o convite nesta segunda e acertou a relatoria em uma breve reunião com Serraglio na Câmara. “Quem está na chuva tem que se molhar. Estou na CCJ e é um momento de contribuir”, afirmou.

Fonte G1
 
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