Whatsapp para todos os programas. PARTICIPE!

Whatsapp para todos os programas. PARTICIPE!

Pezão: 'Se Dilma cair, Temer também cai. Aí fica quem? O Cunha?'


O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), durante entrevista à Folha
O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), durante entrevista à Folha
O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), avalia que um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff não vai entregar ao PMDB a Presidência da República. Para ele, o vice-presidente, Michel Temer, também será afastado.
"Você acha que vai cassar um e não cassar o outro? Duvido que eles deixem ficar o Michel. Aí vai ficar quem? O Eduardo Cunha?", disse Pezão, em entrevista à Folha no Palácio Guanabara.
Principal aliado da presidente, o peemedebista afirma que Dilma deveria ter feito "um pacto pelo país", incluindo líderes da oposição, logo após a reeleição. Acha que foi convencida pelo PT a não ampliar a base de apoio.
Com fisionomia cansada e 28 kg mais magro –fruto de uma dieta da proteína–, o governador culpou a queda do petróleo e a crise do país pela situação financeira do Rio.
Folha - O que o sr. achou a atuação da polícia em relação ao ex-presidente Lula?
Luiz Fernando Pezão - Acho que é natural. Não tem como o político hoje fugir disso. Ele se submeteu a esse risco. Não tem jeito de a gente não se submeter.
E da reação dele? As manifestações marcadas...
Tem de deixar decantar. Essas coisas acontecem e a gente tem de esperar. O que não pode é prejudicar o país. As pessoas estão perdendo emprego. Tinha de dar um jeito de fazer essas apurações e tocar a vida. As obras têm de sair, a economia tem de andar e não pode ter essa paralisia. Não beneficia ninguém.
*Qual sua avaliação sobre a delação do senador Delcídio do Amaral
Não sei. É tanto disse-me-disse. Tem que esperar decantar um pouco. Essas coisas depois não se confirmam. Tem que ver se teve a delação. Eu já entrei numas três [delações]. Prefiro esperar para ver o que é verdadeiro.
E o sr. vê perspectiva de impeachment da presidente?
Acho difícil. Ela é uma pessoa séria e honesta. É tanto disse-me-disse. Não quero que ninguém passe pelo que estou passando. Entrei na Lava Jato, meu inquérito tem 450 páginas, por um cara que era coordenador da campanha do Lindbergh [Farias] falar que eu ouvi o Sérgio [Cabral, ex-governador] pedir R$ 30 milhões. Nunca teve essa conversa. Nunca vi Fernando Baiano, nem sei quem é. Nunca vi [o doleiro Alberto] Youssef. Aí você vê que a Polícia Federal vai lá no Youssef, que diz "ah, não, foi o Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]". Aí abrem um inquérito. Os caras entraram, reviraram meu telefone, meu cartão de crédito. Estou muito escaldado para essas coisas.
O sr. esteve com a presidente Dilma. Qual a sua impressão?
Estive com ela oito vezes neste ano [a última foi na sexta-feira]. Está firme, animada. Ela é muito forte, uma rocha. Já passou por muita coisa. Está convocando governadores, fazendo plano para economia, renegociação da dívida, pedindo ajuda.
Qual a avaliação dela sobre a situação política atual?
Ela está muito tranquila. Não teme. Diz que na campanha dela não teve erro, que as empresas que doaram fizeram oficialmente.
Qual foi o erro da presidente após ser reeleita?
O PT fez uma avaliação errada, e ela deve ter aceitado. Eu sempre disse a ela que deveria fazer um pacto pelo país, mas o entorno dela nunca aceitou muito isso. Ela tinha que ter feito um gesto de estender a mão, assim como fez no primeiro mandato com o Fernando Henrique.
O país saiu dividido. Criou um ambiente muito ruim. O PT achou que o projeto dele tinha sido aprovado. Quase metade do país votou contra.
Tinha que ter dado mais apoio ao Michel [Temer], dado um ministério. Ele poderia ter sido um grande ministro da Justiça.
*O sr. disse que Temer estava conspirando contra Dilma
Isso foi no segundo semestre de 2015. Ele e o Eduardo [Cunha]. Mas respeito muito ele. Todo mundo foi apoiar a chapa por causa dele.
Como fica o PMDB agora?
Acho que o Michel é a pessoa certa para fazer essa travessia. Para o PMDB ter candidato próprio em 2018, como sempre defendi. Não precisa ser ele, mas pode ser.
Ele continua conspirando?
Já passou esse momento. Se houver cassação, vai ser no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Aí cassa a chapa.
Tem um pedido de impeachment no Congresso. Aí entra o Michel Temer...
Você acha que vai cassar um e não cassar o outro? Duvido que eles deixem ficar o Michel. Aí vai ficar quem? O Eduardo Cunha?
Cunha ainda tem condição de ficar à frente da Câmara?
Não tenho o termômetro de dentro do Congresso. Ele errou muito. A gente esperava uma pauta que ajudasse o país, e não uma pauta-bomba. Não andamos com quase nada que a gente sonhava.
A crise no Estado pode influenciar a eleição municipal?
Nunca influenciou. O momento político está ruim para todo mundo. Não tem um governante que pode dizer que é líder, que soma, que ajuda. Aí pode surgir tudo, qualquer coisa. Ainda mais no Rio.
Nesse cenário, uma candidatura presidencial de Eduardo Paes é difícil de se viabilizar?
Acho que não. Eduardo é um candidato que o PMDB vai acabar procurando.
Houve erro dos governos Cabral-Pezão? Não se prepararam para a crise atual?
Não tinha como se preparar. O Estado tem uma alta dependência do petróleo. É mortal para o Rio ter a Petrobras parada. Fizemos um dever de casa. No governo do Sérgio, nos tornamos o segundo polo siderúrgico e automotivo [do país] e a indústria parou em todo o país. Não é uma crise só do Rio. É nacional. Fernando Pimentel [petista, governador de MG] está desesperado.
Mas em 2014 já se tinha sinais da crise. O sr. diz que segurou o aumento de imposto até o final de 2015. Não foi um erro?
Aumentar imposto? Cria um ambiente muito ruim. Fizemos um dos maiores ajustes do país. Em 2015, voltamos ao [gasto de] custeio de 2009. Cortei fornecedor de merenda, aluguel de carro, telefonia. Cortamos R$ 1,2 bilhão. Diminuímos serviços, cargos, gratificação. Peço que me ajudem também. Tomei tantas medidas que minha arrecadação está melhorando. Em janeiro e fevereiro, cresceu.
*O sr. acha que o Pedro Paulo ainda tem condição de ser o candidato a prefeito do Rio pelo PMDB, após o caso de agressão contra a mulher
Eu acho que tem. O Eduardo [Paes] está fazendo um grande mandato. Qualquer candidato dele teria muita chance. Ele [Pedro Paulo] é um bom gestor. Tocava todos os programas principais da prefeitura.

Fonte Folha de São Paulo


 
Copyright © 2012. RÁDIO REGIONAL - ·
Tema desenvolvido por Diego Farias/ Fagner Freire ·